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quarta-feira, 31 de março de 2010

A utopia de um sonho que foi destruído pela tortura

Vanessa Gonçalves

"Você corta um verso/ Eu escrevo outro.
Você me prende vivo/ Eu escapo morto.
De repente, olha eu de novo/ Perturbando a paz
Exigindo o troco."
(Pesadelo - Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)

A tortura é filha do poder, não da malvadeza. De forma mascarada, a ditadura firmou-se no Brasil através da força. Enganam-se aqueles que acreditam que a tortura instalou-se no país após o AI-5, em 1968. A ditadura mostrou sua força e suas intenções desde o dia do golpe.

O primeiro caso de tortura que se tem conhecimento ocorreu ainda em 1964, tendo como vítima o líder comunista Gregório Bezerra, que foi arrastado pelas ruas de Pernambuco, além das torturas sofridas na prisão. Na época, esse e outros casos foram denunciados pela imprensa - que ainda não havia sido tocada pela pena da censura – e o General Humberto de Alencar Castello Branco, após uma breve e parcial investigação veio a público e afirmou: “Não existe tortura no Brasil”.

Com o passar do tempo o regime ganhou opositores, que através da luta armada tentaram impedir que o período de exceção se prolongasse. E, diante de tal oposição, a tortura deixou de ser apenas um elemento de repressão e persuasão e tornou-se uma ferramenta eficiente de trucidamento e eliminação da oposição.

Enquanto o governo negava a existência da tortura nas prisões e quartéis, ela era institucionalizada pelos órgãos de repressão, tornando-se matéria de ensino e prática rotineira dentro da máquina militar de repressão política da ditadura.

Como uma praga, a tortura instalou-se nos porões da ditadura transformando-se no maior desastre da história do Brasil.

A desculpa para o que não tem perdão

Era uma guerra, depois da qual foi possível devolver a paz ao Brasil. (...) Se não aceitássemos a guerra, se não agíssemos drasticamente, até hoje teríamos o terrorismo”. Com essa frase, o ex-presidente General Emílio G. Médici defendida a prática da tortura no Brasil, mais de dez anos após o fim da ditadura.

Mas não há desculpa para o que não tem perdão. Nada justifica que a prática da tortura tenha se transformado em política de Estado.
O raciocínio justificativo dos militares era um só: “era essencial reprimir não importando se o método adotado era adequado”.

O fato é que esse raciocínio amparava-se na exarcebação da ameaça, já que no Brasil, nem de longe, o “surto terrorista” atingiu a dimensão que lhe foi atribuída.

E nessa retórica da ditadura de negação da tortura para a sociedade e de sua prática nos porões para aniquilar a oposição, inúmeras pessoas foram seviciadas para ceder informações e centenas mortas por não suportar o tratamento desumano aplicado pelos agentes de repressão.
O Brasil tornou-se especialista no assunto, tanto é que re-elaborou alguns métodos, desenvolveu tantos outros e repassou a outras ditaduras latino-americanas seu aprendizado através das aulas de tortura, em que se utilizavam presos políticos como cobaias. O resultado são os milhares de mortos e desaparecidos nesses países.

Vergonha nacional

A tortura como política de Estado contava com uma ampla rede de colaboradores que ajudavam os órgãos de repressão a camuflar as mortes ocorridas por sua causa.
Alguns dos responsáveis por ajudar a ditadura em suas mentiras foram os médicos legistas que assinavam laudos encobrindo os sinais e as mortes sob torturas. Os mais comprometidos nesse esquema eram Harry Shibata e Isaac Abramovitch.
A farsa dos laudos necroscópicos fraudados só foi desmascarada definitivamente na década de 90. Até então, somente alguns casos de morte sob torturas caíram em conhecimento público.
Um dos casos que causou grande repercussão foi a morte do estudante de medicina e guerrilheiro da ALN Chael Charles Scheirer. Segundo os órgãos de repressão, Chael foi morto em confronto com a polícia, mas não foi bem assim que morreu. Chael foi preso e torturado até a morte. Seu laudo necroscópico não apontava marcas de tortura e a verdadeira causa da morte. No entanto, os militares não sabiam que Chael era judeu e que para sepultá-lo seria realizado um ritual de lavagem do corpo. Foi nesse momento que seus familiares descobriram a real causa de sua morte.
Além do caso de Chael Scheirer, outros que ganharam repercussão foram as mortes sob torturas do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manuel Fiel Filho, provando, assim, que a ditadura torturava e matava.
Há relatos impressionantes, que mostram como a tortura era violenta. Vejamos a alguns deles:

* Aurora Maria do Nascimento Furtado – militante da ALN, foi presa em uma emboscada em que matou um policial e feriu outro. Revoltados, seus algozes a penduraram no pau-de-arara, mesmo com o braço estraçalhado por um tiro. Assim que foi pendurada, houve fratura exposta. Como Aurora não dava informação alguma, aplicaram nela a chamada “Coroa de Cristo”. Trata-se de um torniquete de aço que pressionava o crânio. A violência foi tanta, que Aurora perdeu a vida com afundamento do crânio e um olho saltando da órbita tamanha foi a pressão do torniquete.

* Sônia Maria de Moraes Angel Jones – presa juntamente com seu companheiro Antônio Carlos Bicalho Lana, foi cruelmente torturada. Teve os seios arrancados na tortura e morreu após ter introduzido em sua vagina um cassetete que lhe perfurou os órgãos internos, causando hemorragia. O mais cruel de tudo, é que entregaram à família o cassetete que causou a morte de Sônia.
A questão é que a tortura, disseminada pela ditadura na década de 60, espalhou-se pelo país e tornou-se prática comum e, até os dias de hoje, é utilizada pela polícia em interrogatórios.

Muito mais que uma ferramenta de repressão, a tortura foi o começo do fim da utopia de um sonho lindo de libertação nacional. E, como dizia Ernesto “Che” Guevara: “A única coisa em que eu creio é que nós temos que ter a suficiente capacidade de destruir todas as opiniões contrárias baseados em argumentos, ou, se não, deixar que todas as opiniões se expressem. Opinião que temos que destruir com pancada é opinião que tem vantagem sobre nós”. Por isso, diga não à tortura! TORTURA, NUNCA MAIS!


Vanessa Gonçalves da Silva é jornalista formada na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e mestranda em História Social na Universidade de São Paulo (USP) onde realiza uma dissertação sobre o papel e a importância das mulheres na luta armada no Brasil (1964-1985).

Contato: vangoncalves@gmail.com

Ao se despedir, Dilma manda recado à oposição e diz "até breve"




A ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata à presidência da República, criticou nesta quarta-feira aqueles que ela classificou como "os viúvos do Brasil que crescia pouco". Segundo ela, essas pessoas fingem ignorar que as mudanças no Brasil são substanciais. Dilma ainda aproveitou o discurso de despedida, no Palácio do Itamaraty, para enaltecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dizer um "até breve".


"Elas têm medo. Não sabem o que oferecer ao povo, que hoje é orgulhoso, tem certeza que sua vida mudou e não aceita mais migalhas, parcelas e projetos inacabados", disse a ministra, durante evento de transmissão de cargos dos ministros que disputarão as eleições no fim do ano. Dilma acrescentou que, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o povo não é coadjuvante. "É o centro das nossas atenções (...) O governo do senhor é um momento importante, de ápice, de vitória", afirmou.

"Talvez o mais longo momento de vitória de todos esses que lutaram experimentaram em sua vida." Ela citou as lutas contra a ditadura e por redemocratização, direitos, igualdade, justiça e liberdade. "A geração que me sucedeu conseguiu realizar seus sonhos."

Dilma discursou durante a posse de dez novos ministros que vão compor o quadro do governo até o final do seu segundo mandato. Dos dez, sete deixam as secretarias executivas que ocupavam para preencher as vagas deixadas pelos ministros candidatos. (Leia mais aqui)

"Líder popular"

Ainda falando diretamente a Lula, Dilma disse que ao seu lado os ministros que hoje deixam o cargo participaram de um processo de mudança profunda e importante. "Tivemos o líder mais popular e talvez o mais brasileiro de todos os líderes." Dilma começou seu discurso citando nominalmente, um a um, os ministros que tomaram posse hoje e também enumerou os que permanecerão em seus cargos. "Tenho certeza de que todos eles vão cumprir a missão pela frente tão bem ou melhor do que fizemos", afirmou.

Com a voz embargada, Dilma disse que fez esforço para falar de improviso. "Mas se eu falar de improviso vão acontecer duas coisas: uma é eu esquecer alguma coisa importante e a outra é chorar. Pode ser que eu esqueça e chore do mesmo jeito, mas tenho um roteiro para me segurar."

"Até breve"

Dilma disse ainda que este momento de transmissão de cargo pode ser comparado ao que alguns poetas descrevem como "uma espécie de alegria melancólica ou triste". "Alegria porque saímos de um governo dos que mais fizeram pelo País e de tristeza porque abandonamos um trabalho de sete anos e meio", afirmou. "Essa estranha alegria triste inebria a alma da gente, pois o senhor (Lula) nos deu o privilégio de participar de um dos momentos mais decisivos da história do nosso País."

No final, Dilma aproveitou o discurso de despedida para afirmar que em breve estará de volta à administração federal. "Não somos aqueles que estão dizendo adeus. Somos aqueles que estão dizendo até breve", disse. "Essa tarefa ficou mais fácil pelos caminhos abertos pelo governo e traçados pela sua liderança", disse ela, dirigindo-se a Lula.

Voo solo

Em entrevista coletiva após a cerimônia, ao ser questionada se ela estava preparada para enfrentar um voo solo e não ter do lado a presença constante do presidente Lula, Dilma disse que dificilmente um projeto de governo é um voo solo: "Eu não pretendo me desvencilhar do governo do presidente Lula. Participar dele, para mim, foi um momento muito importante da minha biografia".

Segundo ela, o seu voo solo, daqui para a frente, será com as pessoas que já vem trabalhando no projeto de governo do presidente Lula.

Dilma disse que a experiência que teve no governo lhe dá forças para enfrentar novos desafios. "Tudo o que eu passei no governo me dá muita força interior para enfrentar o que vem por aí', afirmou.

Ela disse que, no embate com a oposição, não vai baixar o nível e usar instrumentos que não honram a transição democrática. "Por isso eu acho que não é que ele (embate) tenha que ser duro. Ele tem que ser firme e transparente", disse Dilma, reforçando que o importante é deixar o mais claro possível os projetos que estão em disputa, "para o povo poder decidir".

Dilma reiterou que se sente preparada para disputa presidencial, mesmo sendo sua primeira campanha política. "Fui preparada na vida para coisas muito mais duras do que disputar uma eleição. A minha vida não foi uma coisa muito fácil. Acho que a eleição até é um momento muito bom, porque é o momento de exercício da democracia", afirmou.

Segundo ela, na democracia as coisas são mais produtivas, mais generosas e menos opressivas. "Difícil mesmo era aguentar a ditadura", disse.

Fonte: iG e Zero Hora

Sobre o Golpe Militar











Há 46 anos, a ditadura. E a festa da Direita

José Dirceu escreve:

Dia 31 de março de 1964, trabalhando no centro antigo de São Paulo, num escritório da Praça da República para pagar meus estudos, assisti perplexo e indignado às manifestações de júbilo e apoio aos golpistas vitoriosos depois de duas tentativas de implantar a ditadura no Brasil, em 1954 e 1961.
Mais uma vez eram os mesmos de sempre com a UDN à frente - essa mesmo que vocês se lembram, virou ARENA, PDS, PPB, PFL e agora se chama DEM. Vai mudando de nome tentando enganar e achando que o povo esquece.
Derrubavam um presidente constitucional, João Goulart - o Jango - eleito democraticamente para instalar no país uma ditadura militar que durou 21 anos se tomarmos a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral como marco do seu fim, ou 24 anos se tomarmos como data a Assembléia Nacional Constituinte de 1988.

Os nefastos 21 anos que se iniciavam naquela noite
Naquele momento e com o desfile daquelas imagens da alta classe média paulistana e dos considerados na época "filhinhos de papai" do Colégio/Universidade Mackenzie apoiando entusiasticamente o golpe, iniciava-se a onda de repressão e violência que se abateria sobre o país e contra os democratas, os que defendiam a Constituição e a Liberdade.
Aquela cena e aquele dia mudaram para sempre a minha vida. Naquele momento tomei a decisão de me opor com todas as minhas forças e energias ao golpe militar, decisão que persegui durante vinte anos até a reconquista da democracia.
No momento em que assomei a janela para ver a cena dos estudantes de direita do Mackenzie descerem a Avenida Ipiranga rumo a Praça da República, mal sabia eu que minha vida estava sendo decidida naquela manhã de março, no simpático mês das águas e do meu aniversário.
Mal tinha idéia eu de que naquele dia e com as cenas que presenciava, se iniciava a mais longa e teneborosa noite que desabaria sobre o país, a nefasta ditadura sonhada e instaurada pela direita que sufocaria tantos e tantos democratas, atingiria em maior ou menor grau - e ainda que indiretamente - a todos os brasileiros, e se tornaria o período político e social mais nocivo vivido pelo país.

***
Charge do Bessinha
PESCADO DO BLOG DO JULIO GARCIA

DIRETO DE CUIABÁ, MATO GROSSO!

Fátima Ferreira da Silva: vive em Cuiabá, é mãe, secretária e dona de casa.



GUERRILHEIROS VIRTU@IS: Porque a Senhora votou em Lula?


FÁTIMA: Desde quando ele não era “o cara”, ou seja, o melhor presidente que o Brasil já teve, eu já votava. O vocabulário dele a gente entende, não precisa de dicionário para entender. Sem dúvidas ele é diferente, uma pessoa simples, honesta e trabalhadora. Mudou a História de nosso país.
Hoje o povo brasileiro é respeitado lá fora. Somos credores do FMI, nossos filhos podem escolher a faculdade que querem cursar, mudando também o gosto pelo que farão visto ser aquilo que é sua vocação, aquilo que escolheram.
Com o bolsa família acredito que se está erradicando a fome no Brasil.


GUERRILHEIROS VIRTU@IS: Porque Dilma Roussef?


FÁTIMA: Porque ela é defensora do povo trabalhador, dos oprimidos. É guerreira, tem uma História que orgulha ao povo e também às mulheres. Foi violentamente torturada e nunca entregou seus companheiros, que assim não tiveram o mesmo destino ou até pior pos muitos perderam suas vidas nesta dura época. Sei que alguns vão tentar inverter as coisas boas e os projetos dela para, com mentiras e meias verdades, ofuscar o brilho da luta que ela travou pela nossa liberdade.
Senti na pele o que é sofrer a angústia e o medo daqueles anos de chumbo. Tive um irmão que foi barbaramente torturado: quebraram sua clavícula, seu braço, seus dedos. É muito triste saber do sofrimento e não poder fazer nada, ou quase nada.
Meu irmão certa vez nos encontrou na Bahia e pediu para comer uma rabada e a gente percebia o nervosismo dele.
Foi preso várias vezes, quase o mataram. Foi exilado onde teve com uma companheira também exilada, sua filha Cláudia.
Voltando ao assunto, Lula aprovou com seu trabalho e agora nos apresenta Dilma e certamente podemos confiar.





GUERRILHEIROS VIRTU@IS em breve postarão sobre JOSÉ MARIANE FERREIRA ALVES, o irmão da companheira Fátima.


Juventudes partidárias e estudantes tentam entregar "Troféu Pinóquio"

Da Redação - Julia Munhoz
Foto: Julia Munhoz/Olhar Direto




Representantes de juventudes partidárias e estudantes ocuparam a Praça Alencastro na manhã desta terça-feira (30) para entregar ao prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB) o troféu Pínóquio de 2010. Após iniciarem o ato em frente á prefeitura os manifestantes seguiriam para o Hotel Fazenda Mato Grosso, onde Wilson participava de um evento, porém os mesmos optaram por entregar o troféu no dia em que Wilson for protocolar seu pedido de renúncia.A aglomeração em frente ao prédio do Executivo Municipal começou por volta das 8h00 da manhã. Acompanhados de um carro de som os estudantes clamavam pela presença do tucano gritando. “Ei prefeito preste atenção promessa de campanha se cumpre é na gestão”.
O dirigente Nacional da Juventude Socialista do Partido Democrático Trabalhista (JSPDT), Everton Roberto da Silva, afirmou que o ato é referente à falta de compromisso de Santos, que deixa a prefeitura para concorrer ao Governo do Estado sem ter cumprido todas as promessas de campanha. “Vamos reivindicar as promessas que o prefeito fez e não cumpriu e ainda está entregando tudo às pressas”, disse.
Outra questão levantada pelo dirigente é quanto à reforma do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. “O Governo Federal enviou seis milhões para a reforma do Pronto Socorro e foram investidos apenas três milhões”, afirmou Everton.

Depois do início do ato na Praça Alencastro os estudantes seguiram para o Hotel Fazenda para entregar o troféu a Santos.Além do PDT participam da manifestação as juventudes do PPS, PSB e PV.
fotos: Julia Munhoz

terça-feira, 30 de março de 2010

PM Paulista Desrespeita o Direito de Ir e Vir


Tropa de Choque barra grupo do PT em evento de Serra



Foto por Agência Estado

Cerca de 60 integrantes do PT foram barrados nesta terça-feira (30) na altura do quilômetro 25 da Rodovia Anchieta, no sentido litoral de São Paulo. Eles foram retidos no acostamento da via por cerca de 20 homens da Força Tática, no acesso à cerimônia de inauguração do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas. A obra é uma das bandeiras da campanha do presidenciável do PSDB, o governador José Serra.

Os integrantes do PT chegaram por volta das 10h15 em um ônibus fretado, que ficou parado no acostamento da Anchieta por meia hora. O veículo vazio acabou autorizado a entrar, mas os petistas permaneceram no acesso à obra. Eles carregam bandeiras vermelhas do partido e alguns vestem camisetas da legenda com broches em forma de estrela, símbolo do PT. O início da cerimônia da entrega do Trecho Sul está previsto para as 12h de hoje.

Os petistas são do Diretório de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O presidente do partido no município, Wanderley Salatiel, tem em mãos um convite para o evento que diz ter recebido por e-mail do secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce.

- A obra é aberta ao povo. Não podem nos barrar.

De acordo com o líder, o grupo veio comemorar a entrega do trecho do Rodoanel e prestigiar o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT).

- A obra tem verba do governo federal. É justo que participemos dessa cerimônia. Não viemos tumultuar.

Além da Força Tática, há no acesso ao evento ao menos 30 carros da Polícia Militar (PM) e um efetivo estimado em 150 policiais. Segundo os PMs, o bloqueio do grupo ocorreu por "ordens superiores".

Fonte: Agência Estado / Portal R 7.

Só cessarão estas e outras injustiças quando você acordar para todos os fatos. Desde que eles se iniciam.


Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

- Maiakovski, poeta Russo.


Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários.
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso.
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho meu emprego, também não me importei.
Agora estão me levando.
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém .
Ninguém se importa comigo.

- Bertold Brecht (1898-1956).



Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

- Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.



Só cessarão estas e outras injustiças quando você acordar para todos os fatos.
Desde que eles se iniciam.

- JDiniz, O Libertário.

Leia mais: http://www.olibertario.org/2009/08/maiakovski-bertold-brecht-e-outros.html#ixzz0jeT5eW0y
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As políticas públicas para as mulheres no governo Lula







Porto Alegre/RS - A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire (foto), fez um balanço das políticas públicas para as mulheres no governo Lula e apontou os desafios impostos à luta de gênero. Na noite desta sexta-feira (26), ela foi a convidada especial de mais uma rodada do encontro “Diálogos RS”, promovido pelo PT. O debate aconteceu na Câmara Municipal, em Porto Alegre, e teve como foco as políticas públicas de gênero e a experiência do governo Lula.

O encontro contou com as presenças do presidente municipal do PT, Adeli Sell, das vereadoras Sofia Cavedon e Maria Celeste, do vereador Carlos Todeschini, e das deputadas Maria do Rosário e Emília Fernandes, além das militantes petistas.

Nilcéa disse que a Lei Maria da Penha e o Pacto de Enfrentamento à Violência são os grandes marcos do combate à violência contra as mulheres. Além disso, ressaltou o êxito da parceria com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. “O Pronasci é um exemplo muito vivo das mudanças no governo Lula. Trabalhamos temas como o protagonismo das mulheres, a qualificação da política penitenciária, as condições dos direitos humanos das mulheres em situação de prisão e construímos a política de enfrentamento ao tráfico”, sublinhou.

Em 2010, a ministra quer impulsionar a campanha “Mais mulheres no poder” e empenhar-se para aprovar o projeto que trata da igualdade das mulheres no mundo do trabalho. Ela lembrou ainda que a Secretaria foi criada para dialogar e implementar políticas para todas as mulheres brasileiras e que o trabalho visa a garantir mais autonomia e reduzir os índices de violência contra as mulheres brasileiras.

As petistas aproveitaram a visita da ministra Nilcéa para lançar o blog http://secretariademulheres.blogspot.com/ e divulgar o Encontro Estadual das Mulheres do PT, que acontece no dia 10 de abril, no City Hotel, e no dia 11 de abril, no auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa, na capital gaúcha.

As inscrições podem ser feitas pelo blog. O ex-ministro Tarso Genro e a ministra Dilma Rousseff são convidados de honra do Encontro, que aprofundará o debate sobre as políticas públicas para as mulheres a fim de ser incorporado ao programa do PT. (Por Stella Máris Valenzuela, do sítio PTSul).

*Fonte: http://www.ptsul.com.br/

segunda-feira, 29 de março de 2010

De José Fogaça para seus 470 mil eleitores

José Fogaça (PMDB) renunciou hoje ao cargo de prefeito de Porto Alegre, para o qual foi eleito no final de 2008. Uma das estratégias do PMDB para tentar neutralizar os impactos negativos da renúncia é compará-la, incessantemente, com a renúncia de Tarso Genro (PT) à prefeitura, em 2002. Essa estratégia foi replicada o dia inteiro hoje nos meios de comunicação de Porto Alegre, sendo abraçada por vários colunistas políticos. Além de tentar diluir os danos à imagem de Fogaça, esse movimento tenta puxar Tarso mais uma vez para o tema da renúncia. Um movimento esperado e previsível.

Mas isso não é o mais importante em todo esse episódio. O ofício do prefeito que renuncia não se dirige aos 470 mil e 696 portoalegrenses que acolheram, nas urnas, o pedido de Fogaça para permanecer mais quatro anos na prefeitura. O mínimo que o prefeito deveria fazer neste dia é dirigir-se a esses eleitores explicando suas razões. Fogaça não fez isso, limitando-se a enviar um ofício burocrático ao presidente da Câmara de Vereadores. Um ofício redigido numa linguagem bem distante das incursões emotivas do autor de “Vento Negro” que marcaram boa parte do discurso de campanha do candidato (ver vídeo abaixo).

Tudo se passa como se Fogaça quisesse se livrar rapidamente do cargo e dessa situação incômoda, sem prestar contas à população do que fez até aqui e do porquê de sua decisão e abandonar o cargo para o qual foi eleito. O fato de Tarso Genro ter renunciado à prefeitura em 2002 não legitima politicamente a omissão de Fogaça em prestar contas a seus eleitores. As decisões que Tarso Genro e o PT tomaram no processo eleitoral de 2002 tiveram seu custo político. E esse preço foi pago. Por isso, o PT tem todo o direito (e dever) de se manifestar agora sobre a renúncia do prefeito e emitir seu juízo sobre a administração Fogaça. Quem tem uma conta a acertar agora com a população de Porto Alegre é o sr. José Fogaça. Uma conta cujo valor não pode ser pago com um ofício burocrático.

domingo, 28 de março de 2010

NOS TRILHOS

O Partido dos Trabalhadores realizou em Cuiabá, na data de 27 (sábado), o encontro de delegados municipais, com a diversidade característica.

Houve discussões relacionadas a organização do partido na Capital, a consciência de que o quadro partidário dispõe de bons nomes para todos os mandatos eletivos do pleito deste ano, tanto que existe disputa interna, o que é salutar para a democracia interna. Todavia, as bases buscam atuar no sentido de obter um consenso e traçar as estratégias e táticas a serem adotadas. Outro aspecto importante é a decisão do partido em busca da implantação de zonais e de trabalhos de formação política para todos os filiados interessados. Todas essas decisões antecederam ao encontro estadual de setoriais que seria realizado na data de 28 (domingo) do corrente mês, também na Capital.


No domingo, após o credenciamento, houve as atividades das várias setoriais, cujo objetivo maior, era aprovar linhas gerais de teses a serem apresentadas em evento a nível nacional. Oportunizou-se as várias correntes posicionarem e defenderem democraticamente as suas concepções a respeito daquilo que deverá ser consolidado como um programa do Partido e base para a elaboração do programa de Dilma Roussef como sucessora do Presidente Lula. Parabéns, petistas pelo espírito democrático!!!

“Um guerreiro só precisa cuidar que seu propósito permaneça inquebrantável. Julgando pela aparência, há os velhos e os moços, os fortes e os fracos, os doentes e os muito ocupados. Porém, tudo isso é obra do Céu e não há nada que possamos atingir ou influenciar pela própria força. Quando um homem tem um propósito firme, nem as divindades ou os demônios do Céu e da Terra podem impedi-lo. No que diz respeito às circunstâncias exteriores, portanto, ele as confia à ação do Ceú. Porém, no que diz respeito ao Eu, é o homem que realiza sozinho a sua própria vontade. O homem inferior preocupa-se com o que faz o Céu, mas é displicente em suas próprias ações. Nosso poder de conhecimento não nos permite mediar a atuação do Céu. Aquele que se lamenta pela insuficiência de poder de seu conhecimento, e se atormenta e a seu próprio espírito por este motivo, é um imbecil”. (Reinhard Kammer)

sábado, 27 de março de 2010

BLOG DA DILMA NO MUNDO


sábado, 27 de março de 2010

O Blog da Dilma continua crescendo e invadindo o mundo da internet. Nosso trabalho em defender a continuidade do Governo Lula através da eleição da companheira Dilma Rousseff é percebida junto ao eleitorado brasileiro tanto no país como fora. Veja mais relação de cidades que estão acompanhando diariamente o Blog da Dilma:
ÁFRICA: Àfrica do Sul
AMÉRICA DO NORTE: Norcester, Los Angeles e Mountain View(EUA);
AMÉRICA DO SUL: Bogotá(Colômbia);
EUROPA: Quarteira(Portugal), Barcelona(Espanha), Roma(Itália), Sundbyberg(Suécia), Trondheim(Noruega), Manheim(Alemanha), Bishops Stoktford(Inglaterra) e Grenoble(França).
Oriente Médio: Abu Dhabi - Emirados Árabes.

sexta-feira, 26 de março de 2010

DILMA É COMPETENTE E FIEL AO PRES. LULA E AO POVO BRASILEIRO


Dilma é forte, honesta, determinada e não faz acordo com a Rede Globo e Revista Veja para aparecer na mídia. O povo brasileiro sabe da verdade.

Povo brasileiro cansou de ser tratado como cão vira-lata, diz Lula



ITABUNA (BA) - Durante sua visita à Bahia nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o povo brasileiro cansou de ser tratado como "vira-lata" e que desenvolveu o gosto pela autoestima..

- Nós não queremos mais isto (ser tratados como cão vira-lata). O que queremos é mostrar que temos autoestima. Queremos criar uma sociedade mais fraterna, onde as pessoas se deem as mãos e se ajudem - declarou.

Lula também lembrou dos tempos de retirante, afirmando que se sentia muito irritado quando as pessoas achavam que o nordestino vinha para o Sudeste somente para ser pedreiro:

- Nós, agora, queremos ser engenheiros, médicos, o projetista da obra. Precisamos desenvolver o Nordeste para que o povo tenha os mesmos direitos dos que habitam o restante do país.

Ao prometer acabar com o déficit habitacional do país com a construção de 2 milhões de casas, prevista na segunda versão do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2) - que será lançado na próxima segunda-feira (29) -, Lula enfatizou que é necessário separar os atos de governo da atividade política no país.

- Precisamos aprender a separar o ato institucional do ato político. Porque se não o que sai no jornal é a vaia a este ou aquele político e não à obra realizada. A eleição é apenas um ato político na vida da gente. Depois das eleições, nós não temos que brigar, mas sim que tratar de governar em parceria - disse.

Em Itabuna, no sul da Bahia, o presidente declarou que a decisão de construir o Gasoduto da Integração Sudeste-Nordeste (Gasene), em parceria com a petrolífera chinesa Sinopec, foi ideológica e estratégica para o país:

- Nós já tínhamos um estudo avançado com um banco japonês e a decisão de fazer a obra com os chineses foi uma decisão estratégica do governo. Na reunião realizada na Granja do Torto, em 2004, ao discutirmos o assunto, achamos necessário nos aproximarmos da China, estreitarmos os laços em uma parceria estratégica. Fiz uma votação entre os ministros presentes que terminou em 4 a 2 a favor dos chineses. Por isso, considero hoje um dia especial e mais um passo na direção da independência do Nordeste.

Brincando com o embaixador chinês, presente no Parque de Exposição Antônio Setenta, onde aconteceu a solenidade de inauguração do gasoduto, Lula ressaltou as dificuldades de negociação com os empresários daquele país:

- Os chineses não são fáceis. A cara é simpática, mas são duros nas negociações. Negociam com a alma e o coração, mas encontraram pela frente a Petrobras, que, em termos de negociação, não fica devendo nada a nenhum chinês.

O presidente lembrou que, quando o governo anunciou a decisão pela realização da obra, houve quem desacreditasse de sua realização.

- O Lula não vai gastar R$ 7,2 bilhões enterrando cano embaixo da terra, sem que possa colocar uma placa. Mas eu quero ressaltar que nós não estamos tirando nada do Brasil, mas, sim, dando oportunidade para a Região Nordeste do país, a mesma que já tiveram o Sul e o Sudeste - afirmou.

Ao falar sobre a descoberta do pré-sal, o presidente voltou a brincar:
- Antes do meu governo, a Petrobras tinha uma mentalidade tacanha. Hoje, investimos em pesquisa cinco vezes mais do que antes. Não achamos o pré-sal porque Deus é brasileiro. Se bem que eu acho que ele é mesmo. Toda vez que vejo um retrato dele eu penso, sim, que ele é brasileiro, que tem a cara do brasileiro. E se duvidar nasceu aqui mesmo no Nordeste.

quinta-feira, 25 de março de 2010

ELA APRENDEU COM ESSE CABRA VALENTE


ESSA ESTRELA VAI BRILHAR!

A corrente dos que são simpatizantes e que vai com certeza votar na Dilma do Brasil, está cada dia mais forte e o povo já começa a se conscientizar que o melhor para o Brasil hoje, e votar e eleger a Dilma essa Super Mulher competente, inteligente e de uma visão aguçada dos problemas e acertos que precisam ser feitos para que o Brasil continue caminhando a passos largos para um futuro ainda melhor para todos. – Correspondente do Blog da Dilma - Façanha de Fortaleza-CE

Editado(a) por Jussara Seixas

As torturas que a Folha mostra e a que esconde

Hoje, na Folha, Eliane Cantanhêde escreve:

Sem adjetivos

BRASÍLIA - "Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele [delegado Fleury] ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com olhar de louco." De Rose Nogueira, jornalista em São Paulo. Da ALN, foi presa em 1969, semanas depois de dar à luz.

"No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar."

De Izabel Fávero, professora de administração em Recife. Da VAR-Palmares, foi presa em 1970.

"Eu passei muito mal, comecei a vomitar, gritar. O torturador perguntou: "Como está?". E o médico: "Tá mais ou menos, mas aguenta". E eles desceram comigo de novo."

De Dulce Chaves Pandolfi, professora da FGV-Rio. Da ALN, foi presa em 1970 e serviu de "cobaia" para aulas de tortura.

"Eu não conseguia ficar em pé nem sentada. As baratas começaram a me roer. Só pude tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos."

De Hecilda Fontelles Veiga, professora da Universidade Federal do Pará. Da AP, foi presa em 1971, no quinto mês de gravidez.

"Eu era jogada, nua e encapuzada, como se fosse uma peteca, de mão em mão. Com os tapas e choques elétricos, perdi dentes e todas as minhas obturações."

De Marise Egger-Moellwald, socióloga, mora em São Paulo. Do então PCB, foi presa em 1975. Ainda amamentava seu filho. "Eu estava arrebentada, o torturador me tirou do pau de arara. Não me aguentava em pé, caí no chão. Nesse momento, fui estuprada."

De Gilze Cosenza, assistente social aposentada de Belo Horizonte. Da AP, foi presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses.

Trechos de 27 depoimentos de sobreviventes, intercalados às histórias de 45 mortas e desaparecidas no livro "Luta, Substantivo Feminino", da série "Direito à Verdade e à Memória". Será lançado na PUC-SP hoje, a seis dias do 31 de março.


Dona Cantanhêde só esquece de dizer que Rose Nogueira, a jornalista citada logo no início, trabalhava na Folha na época em que foi presa e torturada. Sabe o que aconteceu a ela? Foi demitida por abandono de emprego. Ela conta:


Vinte e sete anos depois, descubro que fui punida não apenas pela polícia toda-poderosa daqueles tempos, pela “justiça” militar que me absolveu depois de me deixar por nove meses na prisão, pela luta entre vida e antivida nesse período.
(...) Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no DEOPS, incomunicável, “abandonei” meu emprego de repórter do jornal. Escrito à mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra ‘i’ da CLT – abandono de emprego”. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me “esqueceram” por um mês na cela.
Como é que eu poderia abandonar o emprego, mesmo que quisesse? Todos sabiam que eu estava lá, a alguns quarteirões, no prédio vermelho da praça General Osório. Isso era e continua sendo ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, caso estivesse trabalhando, eu estaria em licença-maternidade.


Espero por você no Formspring

Sacada do Cidadania.com






Uma vez eu parei numa padaria – Marisa ficou no carro, eu fui comprar um pão. Cheguei lá, pedi o pão e perguntei: ‘Quanto que é?’

O cidadão do caixa falou assim pra mim: ‘Nossa, você parece o Lula! A voz do Lula...’

E um cidadão, que estava atrás de mim, falou: ‘mas não é o Lula, porque eu conheço o Lula. O Lula é mais alto, é mais moreno’.

E eu ali, na frente de um cara querendo me conhecer, e o cidadão desaforado, atrás, dizendo: ‘Não é o Lula’.

Eu fui obrigado a pegar a minha identidade e mostrar pro companheiro: ‘Companheiro, eu sou o Lula’. E ele falou: ‘É, mas não parece’.

É assim que determinados setores da imprensa se comportam (...)


Escrito por Eduardo Guimarães

DE UM JOVEM NO JUPERI



Poesia de um jovem preso na unidade do Juqueri em São Paulo



E a todo momento sinto as unhas da morte na garganta,
o fogo a queimar a alma eterna.

Fico a vagar pelo mundo,
sem esperança, com os olhos sombrios
e sem sonhos.

No moinho da vida, sou a matéria mais suja,
que jogam ao limbo, à volúpia dos vermes.

Minhas lágrimas fecundam o ódio neste chão,
os ratos banham-me de urina, que penetram em
minha carne fria e infectam a noite no meu corpo,
sedento.

Nas grades farpadas, banhadas de sangue, refaço a
vida, perdida para sempre.

Obs.:

Poema enviado ao blog do Nassif pelo médico Eduardo Peduto.

Eduardo Peduto, por ocasião da remessa, escreveu: "Essa poesia foi escrita por um adolescente que está há dois anos e cinco meses na FEBEM!!!!! O que cometeu? Pasmem: furtou um relógio de bolso!!!!! Eu o atendi no Ambulatório de Saúde Mental, lá no Complexo Hospitalar do Juqueri. Nós nos tornamos amigos e, no último encontro, João (nome fictício) deu-me de presente a poesia."

“Fisgado” do blog de Ivanisa Teitelroit Martins (ver aqui).
Postado por Blog do Charles Bakalarczyk

ANOS DE CHUMBO? NÃO, É A PM A MANDO DO SERRA BATENDO NOS PROFESSORES

PM prende 4 em protesto contra Serra
Grevistas de sindicato de professores de São Paulo fizeram "apitaço" durante evento com a presença do governador

Policiais dizem ter alertado professores de que não pode haver barulho em hospital; tucano não comenta ato, e deputado vê ação eleitoral

Michel Filho/Agência O Globo

Professores e policiais militares em confronto durante ato de protesto contra o governador José Serra, que estava em palanque a cerca de 50 metros do tumulto

BRENO COSTA
DA REPORTAGEM LOCAL
A uma semana de deixar o Palácio dos Bandeirantes, o governador José Serra (PSDB), pré-candidato tucano à Presidência, foi alvo ontem de nova manifestação de professores da rede estadual, em greve há 18 dias. Desta vez o protesto terminou em confronto com a Polícia Militar, e quatro professores foram detidos.
O embate ocorreu em Franco da Rocha, durante a cerimônia de inauguração das novas instalações de um centro de atenção à saúde mental do governo do Estado. Os manifestantes estavam a cerca de 50 metros do palanque em que Serra acabara de subir e onde se preparava para discursar.
O governador, que deixará o cargo na próxima quarta-feira, vem realizando uma série de inaugurações nas últimas semanas. Houve protestos na semana passada em eventos na capital e no interior. Serra acusa os manifestantes de agirem com objetivo político e chegou a chamar os protestos de "trololó" na semana passada.
O Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo), que vem organizando as manifestações, é filiada à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e alinhada ao PT.
Quando Serra subiu ao palanque, um grupo de cerca de 30 manifestantes pegou apitos, faixas e cartazes para protestar. Imediatamente, um contingente de pouco mais de 20 policiais militares, três deles com escudos, começou a tentar calar a manifestação.
Segundo o comandante do 26º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel José Carlos de Campos Júnior, a ação policial ocorreu porque os manifestantes insistiram em fazer um apitaço mesmo depois de a polícia ter avisado que não seria tolerado barulho, por se tratar de uma área hospitalar. A nova unidade fica no mesmo terreno do prédio que já atende pacientes, embora separada.
Na confusão, depois de uso de spray de pimenta e cassetetes, quatro homens foram detidos. Um deles chegou a ser algemado. À Folha, todos disseram ser professores, informação confirmada pela polícia.
Serra viu a confusão de frente, sentado no palanque. Em seu discurso, que por vezes era abafado por palavras de ordem vindas dos manifestantes, que o chamavam de "picareta" e "vendido", não fez qualquer referência ao protesto dos professores grevistas.
Depois, em rápida entrevista, não respondeu a uma pergunta da Folha a respeito da manifestação. Apenas balançou a cabeça para os lados, como quem não quer falar, e saiu.
O deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), também presente ao evento, considerou natural a atitude do governador ao ignorar o protesto.
"O que você quer que ele faça? Que vá até lá e converse com as pessoas? O que eles querem é gritar", disse Aníbal. Para o deputado, a proximidade da saída de Serra para disputar a eleição deixa os sindicalistas "mais excitados". "É da luta política. Agora, tem limite."
Segundo a diretora do Apeoesp em Franco da Rocha, Mara Cristina de Almeida, os professores ficaram sabendo na tarde de anteontem, extraoficialmente, que o governador estaria presente no evento.
Como o mesmo grupo já estava visado desde a semana passada, por conta de manifestação em Francisco Morato, município vizinho, quando um ovo foi arremessado contra o carro de Serra, os sindicalistas entraram na inauguração em pequenos grupos, sem nada que indicasse aos policiais, que montaram duas barreiras, que tratava-se de professores.
Uma assembleia de professores está marcada para amanhã, no Palácio dos Bandeirantes. Serra não deve estar presente, pois vai participar do encerramento do 54º Congresso Estadual de Municípios, em Serra Negra (150 km da capital).

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Postado por Jussara Seixas

quarta-feira, 24 de março de 2010

É 13, É DILMA

Dilma Rousseff será a primeira mulher presidente do Brasil.
Terceiro mandato do Lula.
Sem medo de ser feliz.


Dia Internacional da Mulher: pra conhecer, e jamais esquecer de Sônia Maria de Moraes Angel Jones


No dia 08 de março foi comemorado mais um Dia Internacional da Mulher. Em razão disso, o Partido dos Trabalhadores vai contar uma história que por um lado nos orgulha - pela luta desta mulher que nasceu bem aqui em nosso município, Santiago -, mas que por outro nos entristece muito mais, pelo fim que teve. Apesar de poucos saberem, Sônia Maria de Moraes Angel Jones é santiaguense. Parte de sua vida é retratada no filme Zuzu Angel, que pode ser encontrado em locadoras locais. Abaixo vai um texto que, mais do que informar, é um convite à reflexão, à inquietação... Remonta a um período de nosso Brasil que, podemos dizer, foi “ontem”.

Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).



Nasceu em 9 de novembro de 1946, em Santiago do Boqueirão, Estado do Rio Grande do Sul, filha de João Luiz Moraes e Cléa Lopes de Moraes.
Foi morta aos 27 anos em 1973, em São Paulo.


Estudou no colégio de Aplicação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia e, posteriormente, na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ, mas não chegou a se formar, sendo desligada pelo Decreto nº477, de 24 de setembro de 1969.


No Rio, trabalhava como professora de Português no Curso Goiás.
Casou-se, em 18 de agosto de 1968, com Stuart Edgar Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).


Em 1° de Maio de 1969, foi presa por ocasião das manifestações de rua na Praça Tiradentes/RJ com mais três estudantes, levada para o DOPS e, posteriormente, para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Somente foi libertada em 6 de agosto de 1969, quando foi julgada e absolvida por unanimidade pelo Superior Tribunal Militar. Passou a viver na clandestinidade.


Em maio de 1970 exilou-se na França, onde se matriculou na Universidade de Vincennes e, para se sustentar, trabalhou na Escola de Línguas Berlitz, em Paris, onde lecionava Português.


Com a prisão e desaparecimento de Stuart pelos órgãos brasileiros de repressão política, Sônia decidiu voltar ao Brasil para retomar a luta de resistência. Ingressou na ALN e viajou para o Chile, onde trabalhava como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, indo morar em São Paulo. Em 15 de novembro de 1973 alugou um apartamento em São Vicente, junto com Antônio Carlos Bicalho Lana, com quem se unira. Seu apartamento passou a ser vigiado, sendo presa, juntamente com Antônio Carlos, no mesmo mês, por agentes do DOI-CODI/SP, tendo o II Exército divulgado a notícia de que morrera, após combate, a caminho do hospital (O globo 1º de dezembro de 1973).


Foi assassinada sob torturas no dia 30 de novembro de 1973, juntamente com Antônio Carlos Bicalho Lana.


A autópsia assinada pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine, apenas descreve as perfurações das balas, sem nada mencionar das torturas sofridas. Afirmam que o crânio sofreu corte característico da autópsia e que examinaram detidamente o corpo.


Durante quase vinte anos a família investigou os fatos relacionados à prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.


Como resultado dessas investigações, a família produziu o vídeo “Sônia Morta e Viva”, dirigido por Sérgio Waismann.


A prisão do casal, em São Vicente, foi detalhadamente planejada, como constatou sua família, durante as investigações junto aos empregados do prédio em que Sônia e Antônio Carlos moravam. Ela costumava, assim que se mudou, tomar banho de sol numa prainha ligada ao prédio e, desde então era observada de um prédio próximo por agentes policiais, através de uma luneta. Dias depois, os mesmos agentes comunicaram aos empregados do prédio que moravam ali dois terroristas muito perigosos e para justificar tal afirmativa “empregaram-se” como funcionários do prédio e passaram a observá-los mais de perto. Certa manhã, bem cedo, quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir, já havia dentro do ônibus alguns agentes, inclusive uma senhora vestida de vermelho. Ao mesmo tempo, nas imediações da agência do Canal 1, São Vicente, já se encontravam vários agentes à espera de que um deles, pelo menos, descesse para adquirir passagens, pois as mesmas não eram vendidas no ônibus. Até hoje, a família não pôde precisar o dia exato da prisão, possivelmente num sábado, depois do dia 15 de novembro, fato este testemunhado por Celso Pimenta, motorista do ônibus, e Ozéas de Oliveira, vendedor de bilhetes, ambos da Agência Zefir.


Existem duas versões a respeito da prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.
A versão do primo do pai de Sônia, coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOI-CODI de Brasília, amigo pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI de São Paulo: depois de presa, do DOI-CODI de São Paulo foi mandada para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangüe, onde recebeu dois tiros.


A versão do Sargento Marival Chaves, membro deo DOI-CODI/SP: Sônia e Antônio Carlos foram presos e levados para uma casa de tortura na Zona Sul de São Paulo onde ficaram de cinco a dez dias, até morrerem, dia 30 de novembro de 73 e foram colocados, no mesmo dia, à porta do DOI-CODI/SP, para servir de exemplo. Ao mesmo tempo, foi montado um “teatrinho” – termo usado pelo sargento – para justificar a versão oficial de que foram mortos em conseqüência de tiroteio, no mesmo dia 30 (metralharam com tiros de festim um casal e os colocaram imediatamente num carro).


Versão oficial publicada dia 1° de dezembro de 1973 em dois jornais: “O Globo” e “O Estado de São Paulo”: Morte de Sônia e Antônio Carlos, a caminho do Hospital, após tiroteio em confronto com os agentes de segurança, na Avenida de Pinedo, no Bairro de Santo Amaro, cidade de São Paulo, altura do n° 836, às 15 horas.


No arquivo do antigo DOPS/SP foi encontrado um documento da Polícia Civil de São Paulo-Divisão de Informações CPI/DOPS/SP que diz: “Consta arquivado nesta divisão uma cópia xerográfica do Laudo de Exame Necroscópico referente à epigrafada com data de 20 de novembro de 1973.” (Teve o laudo assinado antes de morrer?).


Apesar de haverem identificado Sônia Maria, os seus assassinos enterraram-na, como indigente, no Cemitério Dom Bosco, em Perús, sob o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. A troca proposital do nome de Sônia, demonstra a clara tentativa dos órgãos de repressão em esconder seu cadáver. A família de Sônia conseguiu obter através de processo de número 1483/79 na 1ª Vara Civil de São Paulo, a correção de identidade e retificação do Registro de Óbito.


Oficialmente morta, a família pôde transladar seus restos mortais para o Rio de Janeiro, em 1981.


Em 1982, na tentativa de apuração das reais circunstâncias da morte de Sônia, através de processo movido contra Harry Shibata, médico do IML/SP que atesta sua morte (inclusive assinando o atestado de óbito sob o nome falso e o laudo com nome verdadeiro), o IML/RJ constatou que os ossos entregues à família, enterrados no Rio de Janeiro, eram de um homem.


Para sepultar dignamente os restos mortais de Sônia, a família teve que fazer várias exumações, que chegaram a seis. A última exumação apresentava um crânio, sem o corte característico de autópsia e a família não aceitou os restos mortais, por desconfiar que seria mais um engano do Instituto Médico Legal de S. Paulo.


Em um de seus depoimentos à CPI realizada na Câmara Municipal de S. Paulo, Harry Shibata declarou que a descrição feita no laudo necroscópico de que houve corte de crânio, não corresponde à verdade, uma vez que essa descrição é apenas uma questão de praxe. Assim declarando, assumiu a farsa com que eram feitos os laudos.


Após serem identificados pela UNICAMP, seu restos mortais, finalmente, foram trasladados para o Rio de Janeiro no dia 11 de agosto de 1991.


De seu pai, o Tenente-Coronel da Reserva do Exército Brasileiro e professor de matemática, João Luiz de Morais:


“Sônia Maria Lopes de Moraes, minha filha, teve seu nome mudado após o seu casamento com Stuart Edgar Angel Jones, para Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Ambos foram torturados e assassinados por agentes da repressão política, ele em 1971 e ela em 1973. Minha filha foi morta nas dependências do Exército Brasileiro, enquanto seu marido Stuart Edgar Angel Jones foi morto nas dependências da Aeronáutica do Brasil.Tenho conhecimento de que, nas dependências do DOI-CODI do I Exército, minha filha foi torturada durante 48 horas, culminando estas torturas com a introdução de um cassetete da Polícia do Exército em seus órgãos genitais, que provocou hemorragia interna.


Após estas torturas, minha filha foi conduzida para as dependências do DOI-CODI do II Exército, local em que novas torturas lhe foram aplicadas, inclusive com arrancamento de seus seios. Seu corpo ficou mutilado de tal forma, a ponto de um general em São Paulo ter ficado tão revoltado, tendo arrancado suas insígnias e as atirado sobre a mesa do Comandante do II Exército, tendo sido punido por esse ato. Procedi a várias investigações em São Paulo, visando a aferição desses fatos, inclusive tentando manter contato, porém sem êxito, com esse General, tendo tido notícia de que o mesmo sofrera derrame cerebral, estava passando mal e de que sua família se opunha a qualquer contato e a qualquer referência aos fatos relativos a Sônia Maria.


As informações sobre as torturas, o estupro, o arrancamento dos seios de Sônia Maria e os tiros, me foram prestadas pessoalmente pelo coronel Canrobert Lopes da Costa e pelo advogado Dr. José Luiz Sobral. Minha filha, em sua militância política, utilizava o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Em 1° de dezembro de 1973, ao ler no Jornal “O Globo” vi uma notícia sobre Esmeralda Siqueira Aguiar. Viajei imediatamente em companhia de minha mulher Cléa, de minha cunhada Edy, de minha outra filha, Ângela, e de meu futuro genro, Sérgio, para a cidade de São Vicente, dirigindo-me diretamente para a Rua Saldanha da Gama, 163, apto. 301, local onde residia Sônia Maria. Ao chegar a esse local, à noite, encontrei-o ocupado por alguns homens, em torno de 5 (cinco) ao que me recordo, membros das Forças da Segurança. Ao me recusar entregar minha carteira de identidade, cheguei a ser agredido. Após ter sido agredido, ameaçado de ser atirado do 3°andar e de ser metralhado por esses homens, consegui comunicar-me com o superior-de-dia do II Exército, em São Paulo, quando então, após identificar-me como Tenente-Coronel, consegui deste uma determinação por telefone diretamente a um dos 5 membros das Forças da Segurança, que me libertassem, mediante o compromisso de dirigir-me para um hotel em São Paulo, onde fiquei juntamente com minha mulher à disposição do II Exército e no dia seguinte prestei depoimentos no DOI-CODI.


Durante esse depoimento, indaguei aos interrogadores a respeito do paradeiro do corpo de minha filha, sendo que um destes respondeu que o corpo só poderia ser visto com a autorização do Comandante do II Exército.


Na tarde desse mesmo dia, viajei para o Rio de Janeiro em companhia de minha mulher para conversar com meu amigo, General Décio Palmeiro Escobar, Chefe do Estado Maior do Exército, já falecido, o qual me deu uma carta para ser entregue ao General Humberto de Souza Mello, carta essa em que o General Décio pedia “ao ilustre companheiro e amigo” que me liberasse, assim como minha mulher, de São Paulo, pois necessitávamos permanecer no Rio, onde dirigíamos um Colégio, bem como fosse liberado o corpo de Sônia para um sepultamento cristão.


Regressando a São Paulo em companhia de minha mulher, no dia seguinte, dirigi-me ao Quartel do II Exército para entregar a mencionada carta, sendo certo que o General Humberto não quis receber-me, e a carta foi levada pelo então Coronel Hugo Flávio Lima da Rocha, que, ao voltar do gabinete do General, deu a seguinte resposta: “o General manda te dizer que, por causa desta carta, você está preso a partir deste momento” e, como seu velho companheiro de Realengo, faço questão de, pessoalmente, levá-lo para o Batalhão da Polícia do Exército. No Batalhão da Polícia do Exército, fiquei preso durante 4 (quatro) dias, vindo a ser liberado, sem maiores explicações mas com a recomendação de que “regressasse ao Rio, nada falasse, não pusesse advogado e aguardasse em casa o atestado de óbito de Sônia que seria remetido pelo II Exército e, quanto ao corpo, não poderia vê-lo pois havia sido sepultado”.


Somente decorridos muitos anos pude entender minha prisão, ou seja, naqueles dias Sônia Maria ainda estava viva e sendo torturada e, na medida em que era mantido preso, era possível evitar minha interferência, ao mesmo tempo que, com essa prisão, buscavam amedrontar toda a família.


Apesar do desespero, das ameaças e do conseqüente apavoramento, a família continuou insistindo em conhecer os detalhes sobre a morte de Sônia Maria e, nessa procura, o referido advogado, José Luiz Sobral, que se dizia amigo comum da família e do General Adir Fiúza de Castro, então Comandante do DOI-CODI do Rio de Janeiro, prontificou-se em obter esclarecimentos diretamente com esse General. O Dr. José Luiz Sobral, ao retornar das dependências do DOI-CODI do I Exército, claudicava um pouco, e insinuava ‘ter levado umas cassetadas’, trazendo-me um presente inusitado: um cassetete da Polícia do Exército, mandado pessoalmente pelo General Fiúza para a família, com a recomendação que não falasse mais sobre o assunto, pois ‘todos estavam falando demais’.


Na ocasião, a família guardou o cassetete sem lhe dar maior importância e só recentemente, há uns 2 (dois) anos, é que pude fazer a interligação dos acontecimentos, ou seja, conclui estarrecido que o verdadeiro significado desse presente é que o mesmo General Fiúza nos enviava, como advertência, o próprio instrumento que provocara a morte de Sônia Maria. Este cassetete se encontra em meu poder, podendo ser apresentado a qualquer tempo.


A partir da morte de Sônia, todo final de semestre, nas Declarações de Herdeiros que prestava ao Ministério do Exército, colocava Sônia Maria Lopes de Moraes como minha herdeira, assinalando sempre que ‘presumivelmente morta pelas Forças de Segurança do II Exército, deixo de apresentar a certidão de óbito porque não me foi fornecida ainda pelo II Exército, conforme prometido’. Essas declarações causavam mal-estar entre os militares, tendo sido aconselhado pelo chefe da pagadoria do Exército a requerer a certidão diretamente ao Comandante do II Exército. Apresentado o requerimento, em setembro de 1978, recebi uma correspondência onde o General Dilermando Gomes Monteiro, então Comandante do II Exército, afirmava que ‘não cabe ao II Exército fornecer o atestado solicitado. No Cartório de Registro Civil do 20° Sub Distrito - Jardim América/SP, foi registrado o óbito de Esmeralda Siqueira Aguiar, filha de Renato A. Aguiar e de Lucia Lima Aguiar. O requerente procure o Cartório em causa, se assim o desejar.’ O documento acrescentava, ainda, que ‘mandara retirar do Cartório referido, por pessoa indiscriminada, uma certidão de óbito registrada, que fora fornecida sem qualquer problema’. A referida correspondência, subscrita pelo Comandante do II Exército, foi o primeiro reconhecimento oficial da morte de Sônia Maria. Apesar de ter requerido o atestado de óbito em nome de Sônia Maria Lopes de Moraes, a resposta do Comandante do II Exército foi a entrega de uma certidão de óbito em nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Tempos depois da entrega desse atestado de óbito, tomei conhecimento de um outro documento, ‘Auto de Exibição e Apreensão’, datado de 30 de novembro de 1973, em cujo verso há uma nota do DOI-CODI do II Exército, onde, no final, consta um ‘em tempo: material encontrado em poder de Esmeralda Siqueira Aguiar, cujo nome verdadeiro é Sônia Maria Lopes de Moraes.


No Cemitério de Perus, consegui encontrar o registro de sepultamento de Esmeralda Siqueira Aguiar, na Quadra 7, Gleba 2, Terreno 486, com algumas rasuras, em datas principalmente. Nessa oportunidade, os ossos de Sônia não podiam ser exumados porque estava sepultado na parte de cima um outro cadáver. Tivemos que aguardar ainda 3 (três) anos para a pretendida exumação, ocorrida em 16 de maio de 1981. Nessa ocasião reclamei das divergências existentes entre o que constava do laudo assinado pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine e a realidade da ossada retirada, pois, ao contrário do que constava nesse laudo, o crânio que seria o de Sônia não apresentava nenhum orifício de entrada ou saída de projétil de arma de fogo e estava inteiro. Apesar dessas discrepâncias, levamos os ossos para o Rio de Janeiro, sepultando-os no Cemitério Jardim da Saudade, mais precisamente no Lote 18874, Espaço B, Setor IV, e, durante um ano, todos os sábados, juntamente com minha mulher, ia ao Cemitério e levava flores em homenagem a minha filha.


Além da ação proposta na I Vara de Registros Públicos para retificação de identidade, intentamos outra na Auditoria Militar de São Paulo, pleiteando a abertura de IPM para averiguar as verdadeiras causas da morte de minha filha, bem como a falsidade da certidão e laudo assinados por Harry Shibata e Antonio Valentine. Esse processo, na Auditoria Militar, teve seu curso normal até que o Comandante da II Região Militar, General Alvir Souto se negou a cumprir determinação do Juiz para a abertura de IPM, alegando insuficiência de provas.


Nessa ocasião a Juíza Dra. Sheila de Albuquerque Bierrembach determinou a exumação dos restos mortais sepultados no Cemitério Jardim da Saudade, bem como o seu exame pelo IML do Rio de Janeiro, constatando esse Instituto que aquela ossada não pertencia a Sônia, mas sim a um homem, negro, de aproximadamente 33 anos de idade.

Diante do estranho resultado dessa última exumação, a mesma Juíza Sheila Bierrenbach determinou que se fizessem, no Cemitério de Perus, tantas exumações quantas fossem necessárias até serem encontrados os restos mortais de Sônia Maria. Nessa busca, participei juntamente com minha mulher, familiares e amigos ainda de mais 4 exumações nesse mesmo Cemitério de Perus. Terminada a última dessas exumações foi encontrada uma ossada, que poderia ser a de Sônia. Porém, o crânio encontrado também não estava seccionado e os orifícios de entrada e saída de projéteis não coincidiam inteiramente com o laudo. Não tínhamos então a ficha dentária de Sônia, que havia sido perdida por seu dentista no Rio de Janeiro, Dr. Lauro Sued. Não tínhamos elementos de convicção para aceitar aqueles restos mortais como sendo os de Sônia e, por isso, tentamos impugnar as conclusões do IML de São Paulo, apresentando 11 quesitos e 10 fotografias do crânio de Sônia quando esta tinha 11 anos de idade. A juíza, Dra. Sheila, finalmente, aceitou a conclusão do IML de São Paulo, no sentido de que aqueles eram, oficialmente, os restos mortais de Sônia Maria de Moraes Angel Jones.”

Fonte: http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhes.asp?CodMortosDesaparecidos=167

ATENTADO AO DIREITO DE INFORMAR: JUIZ MANDA APREENDER PUBLICAÇÃO QUE DENUNCIA FALCATRUAS DO GOVERNO FOGAÇA

DIRETO DO CLOACA NEWS



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Na tarde de ontem, terça-feira, por ordem do Desembargador Marco Aurélio dos Santos Caminha, juiz do TRE-RS, foi cumprido um “mandado de busca e apreensão” nas dependências das sedes municipal e estadual do Partido dos Trabalhadores, bem como no gabinete da Bancada do PT na Câmara Municipal de Porto Alegre. Expedido em caráter liminar, para atender ao choramingo do PMDB local, o documento ordenou o recolhimento sumário de todos os exemplares remanescentes de um Boletim Informativo do PT porto-alegrense, publicado e distribuído há duas semanas. A publicação, que você pode ler na íntegra aqui, reproduziu as denúncias da Polícia Federal e do Ministério Público de que um esquema criminoso instalara-se na Secretaria Municipal de Saúde, desviando cerca de 10 milhões de reais do Programa Saúde da Família na capital gaúcha.
A ordem do magistrado não esclarece os motivos que o levaram à tresloucada decisão de vilipendiar a liberdade de expressão.

NAO ADIANTA TENTAREM ME CALAR NUNCA NINGUÉM VAI DESTRUIR A MINHA VOZ

A MUDANÇA É PLANTAR AS SEMENTES USAR O CORAÇÃO E MENTES , A MUDANÇA É SABER OUVIR O POVO POIS QUANDO O POVO QUER NINGUEM DOMINA O MUNDO SE ILUMINA NÓS POR ELA E ELA POR NÓS

DEPOIS DO CARA A GENTE VOTA É NA COROA A GENTE QUER É GENTE BOA EU QUERO DILMA PARA PRESIDENTE DO BRASIL

PRA SEGUIR EM FRENTE EU FAÇO FEITO O LULA EU TO COM ELA

A GENTE QUER ESSA MULHER NA PRESIDENCIA PQ TEMOS CONSCIENCIA DO QUE ELA VAI FAZER

ELA APRENDEU COM ELE MAS É DIFERENTE PORQUE É MULHER

VEM DILMA VEM LEVAR ESSE NOSSO BRASIL MUITO MAIS A FRENTE, ELA APRENDEU COM ELE E NÓS CONFIAMOS NELA


O SORRISO NAO PODE ACABAR, MULHER QUE TRABALHA NOITE E DIA, ELA É A MÃE DO PAC

VEM DILMA VEM MOSTRAR O QUE VOCÊ APRENDEU COM ESSE CABRA VALENTE

QUANDO VIERAM COM INDIRETAS A GENTE FOI CERTEIRO, QUANDO PLANTARAM O MEDO SEMEAMOS A ESPERANÇA

DILMA ROUSEFF MULHER FORTE E GUERREIRA ELA VAI SER A PRIMEIRA PRESIDENTE DO BRASIL

Boicote à rede Marisa


O trabalho escravo e a rede Marisa

Já aprovada no Senado, a Proposta de Emenda Constitucional que determina a expropriação das terras e o confisco de bens de empresas flagradas explorando mão-de-obra escrava ainda aguarda votação na Câmara dos Deputados. Para agilizar a sua tramitação, foi criada a Frente Parlamentar pela Erradicação do Trabalho Escravo. O demora na votação desta PEC comprova que ela afeta fortes interesses e que não se trata apenas, como difunde a mídia, de atingir pequenos negócios.

Segundo dados recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ainda há no país mais de 25 mil pessoas vivendo em condições análogas à escravidão. O trabalho escravo da atualidade tem características distintas da escravidão existente na época do Império. Segundo a OIT, ele não pode ser comparado ao trabalho precário ou com baixa remuneração. As pessoas são vítimas do trabalho escravo quando trabalham contra sua vontade e estão sujeitas a penalidades ou sanções.

Escravidão chega aos centros urbanos

No Brasil, esta situação aviltante é encontrada principalmente no campo, o que revela o cinismo dos latifundiários que se travestem de modernos empresários do agronegócio. Os trabalhadores rurais submetidos ao trabalho escravo são impedidos de se descolaram devido ao isolamento geográfico, tornam-se reféns das dívidas fraudulentas e são ameaçados por jagunços armados. Mas o problema não atinge apenas a pecuária (80% dos casos registrados) e a agricultura (17%).

Nos centros urbanos, crescem as denúncias de trabalho escravo. Na semana passada, a rede de lojas Marisa foi autuada em R$ 633 mil pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), após auditores encontrarem funcionários estrangeiros em condições análogas à escravidão numa oficina que presta serviço à poderosa empresa. A Marisa ainda tentou fugir da multa, alegando desconhecimento. Mas os fiscais comprovaram que ela tem controle de todos os processos da cadeia produtiva e que utilizou empresas interpostas para não contratar diretamente os trabalhadores.

Marisa é autuada em R$ 633 mil

O Grupo de Combate à Fraude e à Terceirização Irregular do MTE entregou 43 autos de infração à loja. Eles detalham condições degradantes no ambiente, na segurança e na saúde do trabalhador constatadas na oficina GSV, na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital. A fiscalização foi feita em fevereiro por uma equipe de cinco fiscais, após denúncia do Sindicato das Costureiras. Da autuação de R$ 633 mil, mais da metade (R$ 394 mil) se refere a valores sonegados do FGTS de 17 trabalhadores bolivianos e um peruano – que não tinham carteira assinada.

“A Marisa tinha conhecimento do problema e vinha sendo alertada pelos órgãos públicos desde a CPI do Trabalho Escravo, em 2007”, afirma Renato Bignami, chefe da fiscalização do MTE. Sua equipe provou que ela montou “uma cadeia produtiva fraudulenta para mascarar o emprego dos bolivianos. Na oficina GSV, encontramos blusas com etiquetas da Marisa, notas fiscais e, no dia da fiscalização, constatamos que ela trabalhava com exclusividade para a rede”, relata Bignami.

Boicote à rede Marisa

O MTE estima que 10 mil oficinas de São Paulo, que empregam quase 100 mil sul-americanos, também exploram mão-de-obra de forma irregular. Além da Marisa, outras três redes de varejo já estão sob investigação. “Há indícios de outras situações idênticas à constatada na Marisa nas redes C&A, Renner e Riachuelo”, afirma Bignami. Diante da denúncia, alguns sítios já propõem uma campanha de boicote aos produtos da Marisa. Também sugerem que a rede seja incluída na “lista suja” do MTE, com seu nome amplamente divulgado para coibir o uso do trabalho escravo.

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Um casal a beira de um ataque de nervos